CERIMÓNIA NA "SAGRES" EM
24 DE SETEMBRO 2026
Passados dez anos o Curso Vice-Almirante Hermenegildo Capelo voltou à Sagres,
agora para celebrar o sexagésimo aniversário da Viagem de Instrução.
Apresentamos o mais significativo da visita.
PRÓ-MEMÓRIA
Traquete,
grande e mezena, ao azul celeste apontados, Deus e o infinito por obsessão, a
Barca Sagres, escola de vida, escola de mar, sessenta anos idos, na BNL
atracada, aguarda a visita do Curso Hermenegildo Capelo!
Sinto-me
gaudinista, entre a fé e o profano, madrugamos para lá chegar! Com fé encaramos
a profana sociedade desregrada e competitiva que connosco compete, partilhamos
caminhos sem nexo até à Aldeia Naval, eis a raiz do cais eis a Sagres! Olhamos
o céu, cumprimentamos a bandeira, à guarnição saudámos qual Sagrada Família que
o templo mantém!
O tempo,
esse estranho amigo que nos persegue, parou: a mesma escotilha que o Pombo
profanou; a mesma roda de leme que entre mãos rodou; o mesmo sino que para a
vida alertou, enfim, os mesmos mastros que em tempo nos desafiaram, temos fé!
Profano sim, a caixa de madeira, consola da modernidade, que nos confronta,
local para a solenidade tomar conta do ambiente, sempre necessária, sempre
ajustada aos anais da história! Ao Cadete mais antigo, esse mesmo que à data em
parada se destacava, coube emergir da vulgaridade, dar conta do sentimento.
Bem-haja amigo Victor G. Brito.
Porto,
Madeira e Favaios, generosos vinhos que estagiam ao balanço da nau, tão
generosos quanto os seis cadetes de 1964 que, no convés, deram volta ao
passado, reviveram jogos, onde a bola de trapo e bola medicinal, davam gozo e
danos!
Se em 2016,
cinco décadas de saudade, a emoção assim foi traduzida: "50 ANOS DEPOIS,
RECORDAMOS COM MUITA EMOÇÃO, O EMBARQUE NA ESCOLA DE MAR, QUE NOS FEZ SENTIR,
COM TANTA INTENSIDADE, O SAL DAS LAGRIMAS DE PORTUGAL" agora, após seis
décadas, a vigia que aos cadetes alimentava o sonho, foi o local acertado
para colocar e dar realce a peça de arte islâmica!
O azulejo,
que melhor arte nos identifica, que melhor esboço de vida, onde o mar e a terra
se encontram, "TODO O PANO, LEME A MEIO, ESTEIRA BATIDA".
Do mar para
a terra, qual desembarque em fim de missão, a Fábrica da Pólvora, enseada de
calçada portuguesa, muitos foram os temas que ocuparam as mentes e os espíritos,
sempre virados ao céu, como Gaudi e a Sagrada Família!
ATÉ 2036. João
Sadler Simões
DISCURSO DO
CADETE MAIS ANTIGO
Exmo Senhor Comandante Sousa Luís, digníssimo Comandante
do NRP SAGRES,
Em nome do Curso Hermenegildo Capelo, queremos agradecer desde
já a V. Exa a disponibilidade para nos receber a bordo do seu navio, para
assinalarmos os 60 anos após o nosso primeiro embarque neste histórico navio da
Marinha Portuguesa.
Naquela altura o embarque era designado por "viagem
do 2º ano" dos cadetes da Escola Naval e decorreu no período de 5 de
Setembro a 22 de Dezembro de 1966."
Nessa
missão foram praticados os seguintes portos: Porto Novo de S. Vicente, Luanda,
Lobito e, no regresso, Funchal. Além de recepções locais de natureza
protocolar, durante as estadias em terra nos portos de África, ocorreram
diversas deslocações a pontos de interesse geográfico e económico, estes
últimos, extremamente importantes no enquadramento político nacional da altura.
É com muita satisfação e sentido de dever, que em representação
dos oficiais que integraram o Curso Hermenegildo Capelo, iniciado na Escola
Naval em 1 de Setembro de 1964, lhe entregamos uma placa que sintetiza o nosso
profundo reconhecimento e gratidão pelo contributo deste navio e das
respectivas guarnições na marca indelével que deixou e continua a deixar, na
formação marinheira dos oficiais da Armada em geral e no nosso Curso em
particular.
Bem haja o NRP “SAGRES” por tudo o que nos deu. Victor
Gonçalves de Brito